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EXERCÍCIO RESISTIDO COM BAIXA CARGA MELHORA A FUNÇÃO COGNITIVA EM IDOSOS LOW-LOAD RESISTANCE EXERCISE IMPROVES COGNITIVE FUNCTION IN OLDER ADULTS EJERCICIO RESISTIDO COM BAJA CARGA MEJORA LA FUNCIÓN COGNITIVA EN ADULTOS MAYORES Amanda Veiga Sardeli1,2 (Profissional de Educação Física) Marina Lívia Venturini Ferreira2 (Profissional de Educação Física) Lucas do Carmo Santos2 (Profissional de Educação Física) Marília de Souza Rodrigues2 (Profissional de Educação Física) Alfredo Damasceno3 (Médico) Cláudia Regina Cavaglieri1,2 (Farmacêutica) Mara Patrícia Traina Chacon-Mikahil1,2 (Profissional de Educação Física) 1. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Médicas, Programa de Gerontologia, Campinas, SP, Brasil. 2. Faculdade de Educação Física (UNICAMP), Laboratório de Fisiologia do Exercício (FISEX), Campinas, SP, Brasil. 3. Faculdade de Ciências Médicas, UNICAMP, Department of Neurology, Campinas, SP, Brasil. Correspondência: Faculdade de Educação Física (UNICAMP), Laboratório de Fisiologia do Exercício (FISEX). Av. Érico Veríssimo, 701, Campinas, SP, Brasil.13083-851. [email protected] Artigo Original Original Article Artículo Original RESUMO Introdução: O treinamento com exercício resistido (ER) é amplamente recomendado para aumento de força e massa muscular em idosos. O ER também é um possível estímulo para melhorar funções cognitivas (FC), mas o melhor protocolo para esse fim não é conhecido. Objetivo: Comparar os efeitos de diferentes protocolos de ER sobre a FC de um mesmo grupo de indivíduos. Métodos: Vinte e quarto idosos foram randomizados (cross-over) em sessão controle (CON) e protocolos de ER para membros inferiores com carga alta (CA - 80% 1RM), carga baixa (CB - 30% 1RM) e carga baixa com restrição de fluxo sanguíneo (CB-RFS - 30% 1RM e 50% RFS). Para a avaliação de FC, os participantes realizaram o teste de Stroop antes e depois de cada protocolo de ER. Resultados: A redução do tempo de resposta para o estímulo neutro de Stroop foi maior após o CB (tamanho de efeito [TE] = -0,92) comparado ao CON (TE = -0,18) e CA (TE = -0,03), mas não foi diferente de CB-RFS (TE = -0,24). A redução do tempo de resposta foi associada à redução da modulação parassimpática e ao aumento de débito cardíaco em todos os protocolos. Conclusões: CB foi o protocolo de ER mais eficiente para aumentar a FC em idosos e identificou-se um efeito benéfico em potencial do CB-RFS sobre a FC (não significante). Desta forma, o exercício resistido de CB parece estimular a melhora aguda da função cognitiva em idosos saudáveis, provavelmente devido à alteração ideal da modulação autonômica induzida pelo exercício. Nível de Evidência I; Estudos Terapêuticos – Investigação dos resultados do tratamento. Descritores: Idosos; Cognição; Terapia por exercício; Promoção da saúde. ABSTRACT Introduction: Resistance exercise (RE) training is widely recommended for increasing muscle strength and mass in older adults. RE is also a potential stimulus to improve cognitive functions (CF), but the best protocol for this purpose is unknown. Objective: To compare the effects of different RE protocols on CF in the same group of individuals. Methods: Twenty-four older adults were randomized (cross over) to control (CON) and lower limb RE protocols with high load (HL - 80% of 1RM), low load (LL - 30% of 1RM) and LL with blood flow restriction (LL-BFR - 30% of 1RM and 50% BFR). For CF assessment, participants underwent the Stroop test before and after each RE protocol. Results: Reduction in response time for Stroop neutral stimuli was greater after LL (effect size (ES) = -0.92) compared to CON (ES = -0.18) and HL (ES = -0.03), but was not different from LL-BFR (ES = -0.24). The reduced response time was associated with reduced parasympathetic modulation and increased cardiac output across protocols. Conclusion: LL was the most effective RE protocol to improve CF of older adults and a potential beneficial effect of LL-BFR on CF (non-significant) was identified. Therefore, LL resistance exercise appears to stimulate acute cognitive improvements in healthy older adults, probably through exercise-induced optimal autonomic modulation changes. Level of Evidence I; Therapeutic studies-Investigating the results of treatment. Keywords: Elderly; Cognition; Exercise therapy; Health promotion. RESUMEN Introducción: El entrenamiento con ejercicio resistido (ER) es ampliamente recomendado para aumento de fuerza y masa muscular en ancianos. El ER también es un posible estímulo para mejorar las funciones cognitivas (FC), pero el mejor protocolo para este fin no es conocido. Objetivo: Comparar los efectos de diferentes protocolos de ER sobre la FC de un mismo grupo de individuos. Métodos: Veinte y cuatro ancianos fueron aleatorizados (cross-over) en grupo control (CON) y grupos protocolos de ER para extremidades inferiores con carga alta (CA - 80% 1RM), carga baja (CB - 30% 1RM) y carga baja con restricción de flujo sanguíneo (CB-RFS - 30% 1RM y 50% RFS). Para la evaluación de FC, los participantes realizaron el test de Stroop antes y después de cada protocolo de ER. Resultados: La reducción del tiempo de respuesta para el estímulo neutro de Stroop fue mayor después del CB (tamaño de efecto [TE] = -0,92) comparado al CON (TE = -0,18) y CA (TE = -0,03), pero no fue diferente de CB-RFS (TE = -0,24). La reducción del tiempo de respuesta fue asociada a la reducción de la modulación parasimpática y al aumento del gasto cardiaco en todos los protocolos. Conclusiones: CB fue el protocolo de ER más eficiente para aumentar la FC en ancianos y se identificó un efecto beneficioso potencial del CB-RFS sobre la FC (no significativo). De esta forma, el ejercicio resistido de CB parece estimular la mejora aguda de la función cognitiva en ancianos sanos, probablemente debido a la alteración ideal de la modulación autonómica inducida por el ejercicio. Nivel de Evidencia I; Estudios Terapéuticos - Investigación de los resultados del tratamiento. Descriptores: Ancianos; Cognición; Terapia por ejercicio; Promoción de la salud. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1517-869220182402179200 Rev Bras Med Esporte – Vol. 24, No 2 – Mar/Abr, 2018 Artigo recebido em 02/05/2017 aprovado em 18/08/2017 125 INTRODUÇÃO Ao longo do processo de envelhecimento, podemos observar numerosas mudanças estruturais e funcionais que levam a uma perda progressiva de força e massa muscular.1 Nesse sentindo, o treinamento resistido (TR) tem sido amplamente recomendado para a melhoria de tais comprometimentos musculares relacionados à idade.2 O processo de envelhecimento também está relacionado com a redução do desempenho de algumas habilidades cognitivas, como por exemplo, a memória, o processamento executivo e a velocidade de processamento da informação.3 Para atenuar as perdas desse processo, tanto o treinamento aeróbio quanto o TR são recomendados, por contribuírem com adaptações positivas na densidade neuronal, nas sinapses e nos neurotransmissores, resultando em melhorias da função cognitiva (FC).4,5 Não obstante, evidências anteriores demonstram que os benefícios do exercício físico sobre a FC não se limitam aos efeitos de treinamentos crônicos, podendo ser observadas também melhorias imediatamente após uma única sessão de exercício resistido (ER).6,7 Por exemplo, Pontiflex et al.6 observaram melhoras da memória de trabalho e no tempo de reação após uma sessão de exercício aeróbio em indivíduos jovens, o que não aconteceu após ER. Enquanto Alves et al.7 encontraram melhorias na FC similares após sessões de exercício resistido e também após um programa de TR em adultos mais velhos. Embora haja uma grande quantidade de evidências que comprovem os benefícios crônicos do exercício na FC, estudos que investigam os efeitos agudos ainda são escassos. Além disso, os efeitos cognitivos da restrição do fluxo sanguíneo (RFS) ainda não foram explorados na literatura, embora esta seja uma excelente escolha para a população idosa, uma vez que neste tipo de exercício benefícios neuromusculares são atingidos com uma sobrecarga osteoarticular muito menor.8 Considerando que o ER aumenta a FC de uma maneira dependente da intensidade, parcialmente mediada pelo aumento da modulação simpática e/ou do fluxo sanguíneo cerebral durante o período de recuperação,9-11 esperamos que a maior modulação simpática estimulada por metaboreflexo muscular durante sessão de ER com RFS possa levar a benefícios adicionais na FC. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo comparar os efeitos de três diferentes protocolos de ER (carga alta (CA) e baixa carga (CB) com e sem restrição do fluxo sanguíneo (CB-RFS)) no desempenho cognitivo de idosos saudáveis. Embora todos os protocolos propostos sejam conhecidos por serem efetivos para o aumento da força e massa muscular na população idosa,8, 12,13 os efeitos destes na FC ainda não foram comparados. MÉTODOS Incluímos 24 idosos sedentários e saudáveis. O estudo foi realizado nas dependências da Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Brasil. Inicialmente, foi realizado um exame clínico, sendo excluídos os indivíduos com idade inferior a 60 anos, com doença arterial coronária, hipertensão, dependência de insulina, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças osteoarticulares limitantes, fumantes, IMC> 30kg/m2 e/ou que fizessem uso de qualquer medicamento que pudesse interferir nas respostas fisiológicas das avaliações. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade de Campinas (1.198.571) e um consentimento informado foi obtido de todos os participantes. Os indivíduos realizaram uma sessão de familiarização no equipamento Leg Press 45º (Nakagym, São Paulo, Brasil) com RFS seguido de um teste de força máxima. Os participantes realizaram as sessões experimentais em um delineamento cruzado (design do quadrado latino), entre 7h e 12h, com temperatura ambiente controlada e intervalo de uma semana 126 entre eles. Todos os sujeitos foram instruídos a evitar bebidas alcoólicas, café ou outras bebidas com cafeína nas 12h antecedentes aos testes, permanecer em jejum durante 2h, dormir bem e se abster de exercício físico por pelo menos 72h antes das avaliações. Durante os protocolos, o estado de saúde dos sujeitos foi verificado e as sessões experimentais foram realocadas sempre que necessário. As sessões experimentais foram realizadas no equipamento Leg Press 45º, com um aquecimento padronizado consistindo de 10 repetições com 30% de uma repetição máxima (1RM) e intervalo de descanso padronizado de um minuto entre as séries. Os protocolos aplicados foram os seguintes: (1) Sessão controle (CON): 10 minutos em repouso sentado no equipamento Leg Press 45º; (2) ER de carga alta (CA): quatro séries realizadas até falha voluntária com 80% de 1RM; (3) ER de carga baixa (CB), quatro séries realizadas até falha voluntária com 30% de 1RM; (4) e CB-RFS, uma série de 30 repetições seguido de três séries de 15 repetições com 30% de 1RM e com restrição do fluxo sanguíneo - 50% da pressão arterial sistólica individual nas pernas ao longo de toda a sessão de exercícios. Para a sessão CB-RFS, o manguito de pressão sanguínea (largura de 175 mm e comprimento de 920 mm) foi anexado na região de dobra inguinal do quadríceps e a restrição foi mantida também durante os intervalos do exercício. Para garantir que os participantes alcançaram a falha voluntária, verificamos também a percepção subjetiva de esforço (PSE), com uma escala Borg de 6-20 pontos. A força máxima foi avaliada por teste de 1RM no equipamento Leg Press 45º, de acordo com as descrições de Brown et al.14 Os indivíduos realizaram 10 repetições em 50% de seu 1RM estimado. Após 3 minutos de repouso, os indivíduos realizaram três repetições a 70% de seu 1RM estimado e após outros 3 minutos de repouso, foram realizadas tentativas para achar 1RM com pesos progressivamente mais pesados até que o 1RM foi determinado dentro de cinco tentativas, com 3-5 min de descanso entre as tentativas. Todos os sujeitos foram testados em duas sessões separadas com 72 horas de descanso entre elas. Registramos a maior carga obtida após o teste-reteste. Aplicamos o teste computadorizado Stroop TESTINPACS®.15 O laptop foi posicionado sobre as pernas dos participantes e eles usaram os dedos das duas mãos para pressionar uma das duas opções de tecla no teclado ([] ou []). Primeiro, os participantes tiveram que escolher o nome correto para a cor exibida na tela. Este teste foi usado para aquecimento dos participantes, bem como para avaliar a percepção de cor deles. Depois disso, os participantes tiveram que escolher o nome correto para a escrita colorida com as letras pintadas sempre em branco (estímulo neutro). Finalmente, os participantes tiveram que escolher o nome correto da cor das letras da palavra em vez do nome da cor escrita (estímulo incongruente). Depois de receber as instruções, eles realizaram uma tentativa para familiarização. O teste foi realizado pré e pós-exercício (ou CON). O software registrou o número de acertos (respostas corretas) e tempo de resposta para cada estímulo. O tempo médio de resposta e o número total de acertos foram registrados para cada etapa (12 estímulos aleatórios). Os intervalos R-R contínuos foram adquiridos pré e pós-exercício, com os indivíduos sentados no equipamento Leg Press 45º, usando um monitor de frequência cardíaca (Polar RS800CX, Kempele, Finlândia).16 Os dados foram carregados no software Polar ProTrainer 5 e a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) foi analisada durante cinco minutos de intervalos R-R estacionários no software de análise de Kubios HRV (MATLAB, versão 2 beta, Kuopio, Finlândia). Os índices de VFC analisados no domínio do tempo foram: intervalo R-R médio (RRi), desvio padrão de todos os intervalos RR normais (SDNN) e raiz quadrada das diferenças médias quadráticas dos intervalos R-R sucessivos (RMSSD), que representam a modulação parassimpática. Os índices de domínio de frequência Rev Bras Med Esporte – Vol. 24, No 2 – Mar/Abr, 2018 foram obtidos por Transformada Rápida de Fourier e incluíram as unidades absolutas de alta frequência (HFms2), as unidades normalizadas de baixa frequência (LF n.u.) e a relação LF/HF, que representam o balanço parassimpático, simpático e simpatovagal, respectivamente.17 A frequência cardíaca (FR), o débito cardíaco (DC) e a resistência periférica total (RPT) foram registrados continuamente e derivados de formas de onda não-invasivas de pressão arterial de batimento-a-batimento,18 obtido pela fotopletimografia de dedo usando Finometer Pro® (FMS-Finapres Medical System, Arnhen, Países Baixos). Os participantes foram instruídos a descansar acordados e em silêncio durante a fotopletismografia realizada no dedo médio.19 Aferimos a pressão de RFS individual antes de todas as sessões. Após 5 minutos de repouso em decúbito dorsal, um Doppler vascular (DV-600; Marted, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil) foi colocado sobre a artéria tibial para capturar seu pulso auscultatório enquanto um manguito de pressão arterial padrão estava posicionado na região da dobra inguinal do quadril. O manguito foi inflado até o ponto em que o pulso auscultatório foi interrompido.20 Tabela 1. Características da amostra. N Idade (anos) Nível Educacional Nível básico (8a) Ensino Médio (11a) Graduação (15a) Antropometria Massa corporal (Kg) Altura (m) IMC (kg.m-2) Força 1RM 45º Leg Press (kg) Cardiovascular Frequência cardíaca (bpm) Débito cardíaco (L/min) RPT (mmHg.min/l) Modulação autonômica cardíaca RRi (ms) SDNN (ms) RMSSD (ms) LF (n.u.) HF (ms²) LF/HF Análise estatística O teste de normalidade de Shapiro-Wilk mostrou que as medidas de FC não eram normalmente distribuídas. Assim, aplicamos o teste não paramétrico de Friedman (p <0,05), seguido pelo teste de Wilcoxon com post-hoc de Bonferroni (p <0,008), para comparar a FC no momento pré e o delta de alteração (pós menos pré) entre os 4 protocolos experimentais. Para testar os efeitos do nível educacional na FC, também realizamos um teste Qui quadrado comparando o tempo de resposta e o número de acertos para cada etapa do Stroop entre os três níveis educacionais. Para complementar a descrição de nossos achados, também apresentamos o tamanho do efeito (TE = Cohen’s d) da FC em cada protocolo experimental. Os dados estão apresentados como mediana e intervalo interquartil. As análises foram realizadas usando o software SPSS-18.0 (SPSS INC., Chicago, IL, EUA). RESULTADOS Ao longo da coleta de dados, três participantes abandonaram o estudo. As características da amostra e as sessões experimentais são descritas na Tabela 1 e 2, respectivamente. Embora as análises de correlação tenham demonstrado que indivíduos com maior nível de escolaridade tiveram menor tempo de resposta em cada etapa do Stroop (estímulo neutro pré: r=-0,36, p=0,001; estímulo neutro pós: r=-0,34, p=0,001; estímulo incongruente pré: r=-0,22, p=0,04, estímulo incongruente pós: r=-0,22, p=0,03), não houve associação entre delta de mudanças no tempo de resposta após o exercício e o nível educacional (p> 0,2). Não houve diferenças no tempo de resposta pré-exercício e número de acertos entre os protocolos. A comparação entre as mudanças (pós menos pré) para o número de acertos não mostrou diferença entre os protocolos. (Tabela 3) A Figura 1 mostra a porcentagem de acertos no teste de Stroop, evidenciando quase 100% de assertividade em estímulos neutros pré e pós sessões experimentais, enquanto mostra respostas mais heterogêneas em estímulos incongruentes. A redução no tempo de resposta nos estímulos neutros foi maior para CB em comparação com CON e CA, mas não foi diferente de CB-RFS. (Tabela 3) A redução do tempo de resposta do teste Stroop foi associada a modulação parasimpática reduzida (RMSSD e HFms2) e RPT, e aumento de FR e DC. (Tabela 4) DISCUSSÃO A principal descoberta do estudo foi a evidência de que o protocolo de ER CB foi mais eficaz para melhorar o tempo de resposta no teste de Stroop em adultos mais velhos em comparação com os outros protocolos (CON e CA). Rev Bras Med Esporte – Vol. 24, No 2 – Mar/Abr, 2018 21 (9♂/12♀) 64,3 ± 5,04 5 4 12 67,19 ± 12,53 1,63 ± 0,08 25,31 ± 3,05 161,67 ± 63,01 67,8 ± 7,6 5,0 ± 0,9 1,16 ± 0,3 887 ± 99,0 29,0 ± 11,8 22,1 ± 13,4 53,8 ± 21,9 227,8 ± 275,8 2,0 ± 2,1 Dados estão apresentados em média ± desvio padrão. IMC: índice de massa corporal; 1RM: uma repetição máxima; RPT: Resistência periférica total; RRi: intervalo RR; SDNN: desvio padrão de todos os intervalos normais de RR; RMSSD: desvio padrão do quadrado médio da raiz; LF: baixa frequência; HF: alta frequência; LF/HF: balanço simpato-vagal. Tabela 2. Características dos protocolos de exercício. Duração do exercício (s) PSE Número de repetições (média) CA CB CB-RFS Valor p (Friedman test) 428,4 (406,5; 439,5) 511 (469,5; 565,8)*ø 436,8 (429,3; 448,2) <0,001 19,0 (17,0; 20,0) 19,3 (19,0; 20,0) 19,0 (17,5; 20,0) 0,454 23,4 (19,9; 29,4)*ø <0,001 9,6 (8,6; 11,4) 17,0 (17,0; 17,0)* Carga de exercício 132,0 49,5 (31,5; 62,2) 49,5 (31,5; 65,2) (82,0; 174,0)#ø (Kg) <0,001 Dados estão apresentados em mediana (25%; 75%); PSE: percepção subjetiva de esforço; CA: carga alta; CB: carga baixa; CB-RFS carga baixa com restrição do fluxo sanguíneo; PAS: pressão arterial sistólica. * Diferente de AI; # diferente de BI; ø diferente de BI-RFS (p< 0.008 para o teste Wilcoxon). Tabela 3. Comparação entre deltas (pós menos pré) dos protocolos experimentais para o Teste de Stroop e tamanho do efeito das mudanças. CON CA CB CB-RFS valor de p (Friedman test) 0,579 ∆ Número de acertos Estímulo neutro 0 (0; 0) 0 (0; 0) 0 (0; 0) 0 (-5; 0) TE -0,39 0 -0,06 -0,58 Estímulo incongruente 0 (-1; 5) 0 (-1; 1) 0 (-5; 2) 0 (-1,5; 1) TE 0,05 0,1 0,05 -0,05 0,574 ∆ Tempo de resposta (ms) Estímulo neutro TE Estímulo incongruente TE -39,3 -255,6 (376; -130,5 -39,0 -65) (-237; 16) (-198; 78)# (-206; 182)# -0,18 -0,03 -7,5 -145,9 (-173; 201) (-418; 21) -0,18 -0,33 -0,92 -0,24 -130,5 (-448; 12) -143,6 (-406; 21) -0,52 -0,44 0,006 0,069 Os dados são apresentados em mediana (25º; 75º). CON: sessão de controle; CA: carga alta; CB: carga baixa; CB-RFS: carga baixa com restrição do fluxo sanguíneo; TE: tamanho do efeito; # Diferente de CB (p <0,008 para teste de Wilcoxon). 127 % Acertos Estímulo neutro 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 CON CA CB CB-RFS s é s é s é s é Pr Pó Pr Pó Pr Pó Pr Pó % Acertos Estímulo incongruentes 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 CON CA CB CB-RFS s é s é s é s é Pr Pó Pr Pó Pr Pó Pr Pó CON: sessão de controle; CA: carga alta; CB: carga baixa; CB-RFS: carga baixa com restrição do fluxo sanguíneo. Figura 1. Porcentagem de acertos nas etapas do Stroop, antes e depois de cada protocolo experimental. Tabela 4. Correlação de Spearman entre delta (pós menos pré) de variáveis cardiovasculares e delta (pós menos pré) tempo de resposta para o Stroop entre todas as sessões experimentais. ∆ RRi (ms) ∆ SDNN (ms) ∆ RMSSD (ms) ∆ LF (nu) ∆ HF (ms2) ∆ LF/HF ∆ FR (bpm) ∆ DC (L/min) ∆ TPR (mmHg.min/l) ∆ Estímulo neutro ∆ Estímulo incongruente 0,131 0,213 0,194 0,038 0,031 0,274* 0,134 0,14 0,03 0,215* 0,154 0,216 -0,283* -0,254* -0,255* -0,16 0,292* 0,224* Os dados são apresentados em valores de R. RR: intervalo; SDNN: desvio padrão; RMSSD: desvio padrão do quadrado médio da raiz; LF: baixa freqüência em unidades normalizadas; HF: alta frequência em valores absolutos; LF/HF: equilíbrio simpatovagal; FR: freqüência cardíaca; DC: débito cardíaca; TPR: resistência periférica total; * p <0,05. Existem evidências incipientes na literatura sobre a efetividade do ER na FC.7,21-23 Alves et al.7 observaram que o ER é eficaz para melhorar o tempo de resposta no teste de Stroop e este efeito pode estar relacionado à velocidade de processamento e ao controle inibitório, ambos associados à atenção seletiva. No presente estudo, observamos um tamanho de efeito grande para a reduçao do tempo de resposta em estímulos neutros e incongruentes após CB (TE>0,5), significativamente diferente de CON. Os protocolos ER mostraram ao menos um tamanho de efeito médio de redução no tempo de resposta de estímulo incongruente. Por outro lado, a influência sobre o número de acessos foi nula, provavelmente devido ao efeito teto nestes indivíduos de alto nível educacional (margem de melhoria limitada). Uma vez que ER melhorou o tempo de resposta no teste de Stroop, iremos discutir a respeito dos mecanismos fisiológicos que podem estar relacionados aos benefícios deste tipo de exercício sobre a FC.9 Avaliamos a influência da modulação autonômica cardíaca na função cognitiva utilizando a VFC. Encontramos associações positivas interessantes entre índices parassimpáticos de VFC (RMSSD e HFms2) e tempo de resposta de Stroop, indicando maior retirada parassimpática 128 e maior redução no tempo de resposta. Murray et al.10 também mostrou um ponto ótimo (associação curvilínea), onde a modulação simpática induzida pelo exercício beneficiou o desempenho do teste das trilhas. Não encontramos associações entre os resultados de Stroop e os índices simpáticos, apenas índices parassimpáticos, porém observamos que nossos protocolos de ER levaram a incrementos menores na modulação simpática, sendo nossos maiores valores em torno dos valores ótimos encontrados por Murray et al.10 Diferenças entre os protocolos de ER também podem ser explicadas pelas mudanças cerebrais no fluxo sanguíneo. Durante o exercício, o retorno venoso ao coração aumenta o DC, o que por sua vez aumenta o fluxo sangüíneo cerebral.24,25 Os exercícios aeróbios de intensidade moderada (60% VO2max) foram apontados como estímulo ideal para o aumento do fluxo sanguíneo cerebral, sendo este reduzido com intensidades mais altas.11 Nós hipotetizamos que CB poderia melhorar a FC devido à sua maior predominância cardiovascular dinâmica em comparação com os outros protocolos de ER. Os outros ER possuem maior predominância estática, o que pode comprometer o fluxo sanguíneo cerebral. Na verdade, a CB foi o protocolo mais eficaz, sendo encontradas associações significativas entre o desempenho em Stroop e o DC, bem como com a FR, o que pode influenciar o fluxo sangüíneo cerebral. As variações de FR também podem estar associadas à intensidade dos protocolos de exercício, uma vez que a oxigenação cerebral diminui em exercícios de alta intensidade, como consequência da baixa perfusão cerebral e aumento da taxa metabólica de oxigênio cerebral.26 Mudanças psicológicas e emocionais após o exercício também podem influenciar a FC.9 De acordo com Noakes, a fadiga é uma emoção derivada do cérebro, regulando o comportamento durante o exercício para evitar distúrbios intensos da homeostase.27 Muitos aferentes corporais contribuem para a definição do esgotamento.28 Embora os protocolos de ER possam estimular os aferentes do corpo em diferentes magnitudes, todos os protocolos de ER alcançaram pontuações de PSE máximas sem diferenças entre eles. No entanto, descobrimos que a expectativa dos participantes para CA geralmente era pior do que para CB e CB-RFS, por relacionar-se com o medo. Por outro lado, a duração mais longa de CB produziu sensações mais desconfortáveis em comparação com o desconforto sentido no CB-RFS. Infelizmente, não realizamos avaliações específicas para quantificar essas observações, limitando a compreensão da influência do estado psicológico sobre a FC. Embora os benefícios musculares e cardiovasculares de CB-RFS já estejam estabelecidos,29,30 para o nosso conhecimento, os efeitos destas sobre a FC ainda não foram avaliados. Curiosamente, observamos uma tendência para CB-RFS e CB de reduzir o tempo de resposta na etapa incongruente, o que foi diferente da sessão CON (teste de Wilcoxon p = 0,020 e p = 0,028, respectivamente). Assim, é possível que a incapacidade de aumentar o DC suficientemente durante BC-RFS (devido ao seu retorno venoso limitado) deve ter sido compensada por maiores incrementos na FR. A mediana da magnitude de redução do CB-RFS no tempo de resposta foi quase igual à CB (protocolo com maior volume), apesar de maior entre a variância dos indivíduos dentro do CB-RFS. Isso indica um efeito benéfico potencial de CB-RFS na FC, que deve ser explorado em estudos futuros. Prodel et al.31 investigaram o efeito da RFS realizado por indivíduos jovens em um cicloergômetro. Eles mostraram aumento do fluxo sangüíneo cerebral induzido por ativação metaboreflexa muscular que também pode ter favorecido a FC na sessão CB-RFS do presente estudo. No entanto, esse tipo de exercício pode ter implicações diferentes nas mudanças hemodinâmicas em relação ao presente estudo, uma vez que o primeiro possui maior componente dinâmico compardo ao CB-RFS. Rev Bras Med Esporte – Vol. 24, No 2 – Mar/Abr, 2018 O efeito teto observado no número de acessos limitou a avaliação das respostas das sessões de ER sobre a FC, uma vez que esta amostra, com alto nível educacional, apresentou pouca margem para melhorias nesta variável. Outra limitação foi a ausência de avaliações dos mecanismos fisiológicos que podem explicar nossos resultados, como o fluxo sanguíneo cerebral, ativação cerebral, neurotransmissores e avaliação psicológica ou emocional, que podem ser investigados em pesquisas futuras. CONCLUSÃO Em resumo, observamos que BC teve efeitos maiores na FC (redução no tempo de resposta no Stroop) do que os outros protocolos. No entanto, foram encontradas reduções semelhantes de tempo de resposta para CB-RFS, implicando um potencial efeito benéfico dos ER com RFS sobre a FC de idosos, que deve ser investigado em estudos futuros. A maior retirada parassimpática e o DC foram potenciais candidatos para explicar a melhora da FC em todos os protocolos de ER. Estes mecanismos fisiológicos são os mesmos apontados para explicar os efeitos do exercício aeróbio. Assim, parece que o maior predomínio cardiovascular dinâmico de CB e CB-RFS em detrimento de maior predominância estática da sessão de CA são determinantes importantes de melhorias de FC através de ER em adultos mais velhos. Todos os autores declararam não haver qualquer potencial conflito de interesses referente a este artigo. CONTRIBUIÇÕES DOS AUTORES: Cada autor contribuiu individual e significativamente para o desenvolvimento do manuscrito. AVS (0000-0003-0575-7996)*: criação de desenho experimental, redação de artigos, coleta e análise de dados; MLVF (0000-0002-9869-6848) * e LCS (0000-0002-6969-4640)*: coleta de dados e revisão do artigo; MSR (0000-0002-2808-9540)*: coleta de dados e criação de desenho experimental; AD (0000-0002-7919-3989)*: redação e revisão do artigo; CRC (0000-0002-7795-6575) *: revisão do artigo; MPTCM (0000-0002-6109-5141) *: revisão do artigo. Todos os autores contribuíram para o conceito intelectual do estudo. *ORCID (Open Researcher and Contributor ID). REFERÊNCIAS 1. Doherty TJ. Invited review: Aging and sarcopenia. Journal of applied physiology. 2003;95(4):1717-27. 2. Chodzko-Zajko WJ, Proctor DN, Fiatarone Singh MA, Minson CT, Nigg CR, Salem GJ, et al. American College of Sports Medicine position stand. Exercise and physical activity for older adults. Med Sci Sports Exerc. 2009;41(7):1510-30. 3. Craik FIM, Salthouse TA. The handbook of aging and cognition. 2nd ed. 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